Estatal chinesa ligada a contratos militares e escândalos de segurança da informação vai construir base científica brasileira na Antártica

For now, Brazilian researches are staying in temporary modules.

Depois de ter sua primeira abertura de licitação fechada por falta de proponentes interessados em fevereiro do ano passado, a Marinha anunciou o resultado do último certame para a construção da nova estação científica Comandante Ferraz, na Antártica. A empresa escolhida foi a estatal chinesa China National Electronics Import & Export Corp (CEIEC), que no passado esteve envolvida em vazamentos de informação na internet e já foi punida pelos EUA por vender material bélico para o Irã.

A companhia chinesa foi a que ofereceu o menor preço para reerguer a base brasileira, destruída por um incêndio em 2012: 99,6 milhões de dólares (cerca de R$ 300 milhões), bem acima do último valor de R$ 145,6 milhões orçado pela Marinha no ano passado.

A escolha da empresa vem depois de disputas judiciais entre outras duas concorrentes. Em janeiro deste ano, a Marinha já havia anunciado a CEIEC como vencedora da segunda licitação aberta. Mas a finlandesa OY FCR Finland e o consórcio brasileiro-chileno Ferreira Guedes/Tecnofast apresentaram recursos judiciais contra a decisão. Ambos os recursos foram interpostos em outubro de 2014.

A chinesa CEIEC já conta com outros projetos com países latinos. No Equador, a  estatal é responsável pela instalação de um sistema de segurança conhecido como ECU-911, que inclui dois centros de vigilância nacionais e cinco regionais. A empresa também assinou contratos com a Venezuela e a Bolívia em 2013 para construir prédios públicos e redes de segurança da informação.

Apesar de anunciar sistemas eletrônicos de defesa como um dos seus fortes, a companhia chinesa é a mesma que em 2012 supostamente foi hackeada por um dos integrantes do grupo Anonymous.

Na ocasião, um hacker conhecido como “Hardcore Charlie” anunciou que havia invadido os arquivos da CEIEC, que possui também contratos militares. Segundo ele, os documentos da empresa revelavam informações relacionadas à guerra dos Estados Unidos no Afeganistão. No mesmo ataque, que resultou no roubo de mais de 1 terabyte de informações da CEIEC, o hacker também obteve o código-fonte do antivírus VMalware e o divulgou na internet.

Embora a VMalware tenha confirmado a autenticidade do código-fonte roubado, a CEIEC negou o ataque e o assunto não foi para frente. Esperemos que o mesmo não aconteça com a construção da base brasileira. Vale citar ainda que em 2007 e em 2009 a CEIEC e a sua subsidiária CIES foram punidas pelo Departamento de Estado nos EUA por vendas ilícitas de armamentos para o Irã e a Síria.

Atualização:

A CEIEC já havia feito outros negócios com o Brasil antes. Em julho de 2014, durante uma visita do presidente chinês Xi Jinping, representantes da empresa firmaram um acordo-quadro de cooperação tripartite com o Industrial and Commercial Bank of China e a Engevix Sistemas de Defesa Ltda — empresa do Grupo Engevix, atualmente em investigação pela operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga esquemas de corrupção entre a Petrobras, grandes empreiteiras e políticos.

Nesta semana, a empresa chinesa fechou ainda outro acordo de grande porte, desta vez com o governo Amazonas, em que comprometeu a aplicar investimentos da ordem de US$ 1 bilhão no estado para fomentar parcerias em áreas como ciência e tecnologia e obras de infraestrutura.

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