Brinquedo de papel se mostra boa ferramenta de diagnóstico

Um pedaço de papel e um barbante. Essa é a base de uma centrífuga de baixo custo inventada para separar o sangue em plasma e células vermelhas. A gambiarra parece coisa de brasileiro, mas foi obra de cientistas indianos, chineses e gregos radicados na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Uma ideia tão simples que a gente se pergunta como ninguém havia pensado nisso antes.

Por apenas 20 centavos de dólar, pesando 2g, a centrífuga de papel dispensa baterias ou eletricidade. É movida apenas à força do braço humano, que ao puxar o barbante gira o papel a uma velocidade de 125,000 rotações por minuto.  Em comparação, uma centrífuga portátil usada para a mesma finalidade não sai por menos de US$2.700 fora do Brasil.

Segundo os criadores, o dispositivo é o mais rápido já criado movido à força humana, o que lhes incentivou a entrar com um pedido no Guinness World Records.

“Nossso brinquedo é uma oscilador não linear e não conservativo: em cada ciclo a entrada de energia é introduzida pela mão humana e dissipada pelo sistema pela resistência do ar e pelo barbante”, explica o artigo, publicado nessa semana na Nature Biomedical Engeneering.

A centrífuga consegue separar mecanicamente o plasma das células sanguíneas em cerca de 15 minutos. Os criadores se gabam do feito contando que antes da invenção, outras gabiarras comumente usadas, como centrífugas de salada e batedores de ovos, pesavam mais, não ultrapassavam  1.200 rpm e levam mais tempo para fazer o trabalho.

A ideia por trás do dispositivo é poder ter fácil acesso à centrifugação em trabalhos de campo e ambientes sem recursos. “Todo laboratório de diagnóstico usa centrífugas e nós queríamos fazer uma extremamente acessível e barata para uso em países em desenvolvimento e regiões sem eletricidade”, conta Manu Prakash, um dos inventores.

A inspiração para a traquitana veio de brinquedos tradicionais. “Começamos observando brinquedos como o iô-iô e acabamos nos deparando com um chamado carrosel (whirligig). Vimos que ninguém entendia a física e a matemática por trás desse brinquedo, que não se move tão rápido assim. Mas quando entendemos esses parâmetros, conseguimos ajustar o dispositivo para torná-lo rápido o suficiente para separar do plasma células sanguíneas, parasitas da malária e todo tipo de parasitas.”

Os cientistas agora planejam disponibilizar o projeto da centrífuga para produção em quantidade ma material plástico em impressoras 3D.

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