Goles de ciência

Você tem um encontro marcado com cientistas no bar da esquina

pint

O pint é uma medida usada nos EUA e UK que equivale a cerca de 500ml. Mas nos bastidores do meio científico é sinônimo de reunião descolada para falar sobre ciência, regada à cerveja ou a outra bebida à escolha do freguês. Criado há quatro anos por pesquisadores britânicos, o Pint of Science já virou um festival internacional de divulgação científica que leva todos anos cientistas conceituados ao “bar da esquina” para falar de forma coloquial sobre suas pesquisas para quem tiver interesse em ouvir e interagir.

Hoje, mais de 100 cidades de 12 países recebem o evento. E o Brasil não está de fora. Nos dias 23, 24 e 25 de maio, a segunda edição nacional do Pint of Science vai rolar em bares, restaurantes e cafés de Belo Horizonte, Campinas, Dourados, Ribeirão Preto, São Carlos, São Paulo e Rio de Janeiro.

A coordenação no Brasil é da bacteriologista Natalia Pasternak, que escreve no blog o Café na Bancada. “Nesta época de obscurantismo e acesso fácil à desinformação, o Pint of Science surge como uma oportunidade de ser uma vela na escuridão, diminuindo o abismo entre os cientistas e a sociedade”, diz Natalia. “O evento também cria a oportunidade de estabelecermos uma comunicação mais informal, descontraída e humana, a fim de que possamos, todos juntos, oferecer um brinde à ciência”, acrescenta.

Aqui no Rio de Janeiro, o evento vai contar com participação de cientistas de peso do cenário nacional, como o neurocientista Stevens Rehen (IDOR/UFRJ), que cria mini cérebros para estudar doenças neurodegenerativas, o biólogo Rodrigo Brindeiro (UFRJ), envolvido em pesquisas de ponta sobre o vírus da zyka, e o físico Luiz Alberto Oliveira, curador do Museu do Amanhã. A entrada é gratuita!

Confira a programação:

2ª FEIRA – 23 DE MAIO – BAR DESACATO, LEBLON

O físico LUIZ ALBERTO OLIVEIRA, curador geral do Museu do Amanhã, e a diretora do Laboratório de Atividades do Museu MARCELA SABINO vão conversar com o público sobre O MUNDO DEPOIS DO SILÍCIO.

Como assim? Porque ao longo do século XX, o domínio das propriedades semicondutoras do silício iniciou um processo de miniaturização dos componentes dos objetos técnicos que gerou consequências e criou facilidades que hoje compartilhamos. Mas o século XXI está sendo marcado por inovações com um potencial ainda mais impactante: o grafeno e outras variantes do carbono, a fotônica, os chips quânticos, substratos líquidos, bioartefatos


3ª FEIRA – 24 DE MAIO – BAR DO ERNESTO, LAPA

O tema é o VÍRUS DA ZIKA, CHEIO DE SEGREDOS…
JERSON LIMA, MARIO SILVA-NETO e RODRIGO BRINDEIRO vão desvendar esse mistério.

Descoberto há 70 anos na floresta de Zika, em Uganda, o vírus Zika era considerado um primo inofensivo dos vírus da dengue e da febre amarela, pertencentes à mesma família do flavivírus e transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. A história mudou quando, no ano passado, descobriu-se no Brasil a associação do vírus Zika com a microcefalia, causada por infecção durante a gestação. 


4ª FEIRA – 25 DE MAIO – ESPAÇO CULTURAL OLHO DA RUA, BOTAFOGO

Você vai ter a oportunidade de tomar uma cerveja ou uma limonada com os neurocientistas STEVENS REHEN, FERNANDA TOVAR-MOLL e ROGERIO PANIZZUTTI sobre um assunto incrível: COMO AS TECNOLOGIAS ESTÃO RECONFIGURANDO NOSSOS CÉREBROS!

Sim, porque o cérebro é um órgão incrível. Novas tecnologias têm permitido visualizá-lo de uma maneira ainda mais espetacular, revelando surpresas sobre como os neurônios se comunicam, sobre saúde e doença. Essas novas tecnologias estão também subvertendo a evolução e reconfigurando nossas conexões cerebrais. Venha conversar com os cientistas sobre como será o cérebro pós tablets e smartphones!

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Elo perdido – Mais perto de entender o zika

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Pesquisadores agora testam a ação da linhagem brasileira do vírus zika sobre células neurais.

As pesquisas sobre o zika vírus seguem a todo vapor. Somente no período de apuração deste texto, pelo menos 3 artigos científicos de relevância foram publicados sobre o assunto. A revista Nature de hoje traz um artigo com o primeiro modelo animal de infecção por zika e microcefalia, o elo que faltava para confirmar a causalidade entre o vírus e a malformação. O trabalho apresenta ainda novos resultados indicando que a linhagem do vírus que circula no Brasil é mais agressiva que a original africana e dados que podem ajudar a explicar por que algumas mães infectadas durante a gravidez têm bebês com danos cerebrais e outras não.

O trabalho, de pesquisadores brasileiros da USP e da Universidade da Califórnia (EUA), mostra em camundongos que o zika vírus ultrapassa a barreira da placenta e chega aos fetos provocando alterações neurológicas e em outros tecidos. É a primeira prova experimental desse processo.

“O modelo animal foi necessário para mostrar a causalidade do vírus zika brasileiro”, explica Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia (EUA). “Não existe ainda nenhum modelo experimental humano que simule a proteção do feto pela placenta.”

Outro autor do estudo, o virologista Paolo Zanotto (USP), coordenador da rede que pesquisa o zika no Brasil, reforça que o estudo é importante para dar prosseguimento e ensaios pré-clínicos para o desenvolvimento de vacinas, terapias  e medicamentos antivirais.

Os pesquisadores infectaram fêmeas gestantes de dois tipos de camundongos, com características genéticas distintas, com a linhagem brasileira do vírus. Os filhotes de um desses tipos de camundongo nasceram com sinais de microcefalia, com redução da camada cortical do cérebro em metade do considerado normal, além de alterações em outros tecidos e tamanho corporal reduzido. Os do outro tipo de roedor, no entanto, não apresentaram alterações.

Segundo Muotri, essa diferença pode se dever às características genéticas distintas entre as duas “raças” de camundongos que levam a uma melhor resposta imune. O mesmo pode estar ocorrendo entre as mães humanas, que com perfis genéticos variados reagem de forma diferente à infecção. “Com essas duas linhagens de camundongos, conseguimos mostrar que a infecção pelo zika pode ser reprimida pelo sistema imune ou tipo genético”, diz.

Minicérebros em voga

O trabalho também analisou mini cérebros e neuroesferas (modelos do cérebro em desenvolvimento obtidos com células-tronco em laboratório) infectadas com o vírus, confirmando os resultados já apresentados por outro grupo de brasileiros na Science de que o zika provoca morte celular e redução de células do córtex cerebral em formação, alterações que podem ocasionar a microcefalia observada em bebês de mães infectadas pelo vírus durante a gravidez.

Os pesquisadores infectaram neuroesferas e mini cérebros humanos com ambas as linhagens de vírus zika, a “africana”, isolada de macacos, e a “brasileira”, extraída de amostras de pacientes no Nordeste. As neuroesferas infectadas com a variação brasileira do vírus sofreram mais redução de tamanho que as infectadas com a linhagem estrangeira. Esse resultado indica que linhagem de vírus que circula no Brasil é mais agressiva que a original e poderia explicar a maior incidência de casos de microcefalia por aqui.

Mini cérebro criado pela equipe de Alysson Muotri.
Mini cérebro criado pela equipe de Alysson Muotri. A região em verde representa as camadas corticais sendo formadas. (Muotri Lab/UCSD)

Além das células humanas, os pesquisadores infectaram, com as duas versões do vírus zika, mini cérebros obtidos a partir de células-tronco de chimpanzés . O vírus brasileiro não se replicou nessas amostras, ao contrário do africano. Os pesquisadores acreditam que isso se deve a mutações que o vírus sofreu por aqui, que o deixaram mais adaptado a infectar células-humanas.

“O vírus africano é 87-90% semelhante ao brasileiro. Essa diferença de 10% é, possivelmente, responsável pela sua agressividade”, afirma Muori. “Não sabemos quais foram as pressões evolutivas que fizeram o vírus da zika mutar no Brasil. O vírus africano já está circulando há mais de 70 anos e nunca causou microcefalia. O por que de o vírus brasileiro estar causando isso é uma questão ainda não respondida.”

Muotri pretende continuar a pesquisa para entender melhor as diferenças genéticas entre as duas linhagens de vírus e usar o modelo dos mini cérebros para testar algumas ideias terapêuticas, estratégia que vem sendo seguida também pelo grupo que publicou na Science, liderado por Patricia Garcez  e Stevens Rehen (UFRJ/IDOR).

Garcez comenta que o modelo animal apresentado por Muori pode ajudar no avanço de suas pesquisas por aqui, que também segue para o desenvolvimento de um modelo animal. “Fico extremamente feliz pelos pesquisadores brasileiros que conseguiram fazer um modelo tão relevante para as nossas próximas pesquisas”. A pesquisadora aponta, porém, que a carga viral utilizada na pesquisa da Nature é “brutal” e que seu grupo trabalha com quantidades equivalentes às observadas em pacientes humanos.

Nos mínimos detalhes

Outra pesquisa, publicada em formato pre-print (ainda sem revisão por pares) pelo grupo de Garcez e Rehen (UFRJ/IDOR) em colaboração UNICAMP, Fiocruz, Instituto Evandro Chagas de Belém e Universidade Federal do Pará pode contribuir ainda mais para desvendar o que faz com que o vírus brasileiro seja tão nocivo e para o desenvolvimento de um tratamento.

Usando neuroesferas infectadas, os pesquisadores identificaram cerca de 500 genes e proteínas que ficam alterados em humanos na presença do vírus brasileiro. Conhecendo esses alvos do vírus, fica mais fácil buscar um medicamento eficaz contra o vírus e seus danos no sistema nervoso.

“Esses dados estão abertos e permitem que pesquisadores do mundo todo entendam melhor como o zika age e possam pesquisar formas de inibi-lo”, pontua Patricia Garcez.

Por enquanto, uma droga já usada contra malária, a cloroquina, já se mostrou promissora. Estudos preliminares mostraram que a substância protegeu as neurosferas da morte celular em até 95%, inibindo a infecção e reduzindo o número de neurônios infectados.

 

 

 

Bye bye, Brasil e o verbo come solto entre os que ficam

A semana inciou com a notícia de que a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, referência internacional na área de morfologia cerebral, vai deixar o país e o laboratório que mantém no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) na UFRJ, por uma vaga na Universidade Vanderbilt, em Nashville (EUA). Suzana já vinha falando abertamente na mídia sobre as dificuldades de se fazer pesquisa no Brasil, com falta de recursos e infra-estrutura.

A cientista, uma das poucas expoentes da comunidade científica nacional a publicar em revistas como a Science, contou que já chegou a colocar dinheiro próprio no laboratório para fazer pesquisa e recorreu a meio inusitados de financiamento, como o vaquinha virtual ou crowdfunding. A frase final de um artigo escrito por ela há alguns meses na revista Piauí resume bem o estado da coisa e parece justificar a sua decisão: “Fazer mágica é bom, mas cansa. Queria poder ser apenas cientista.” Não precisa nem dizer que fora do país a pesquisadora vai encontrar um ambiente bem favorável para desenvolver seus experimentos.

A novidade, no entanto, não foi bem recebida por colegas de Suzana que também são considerados referências na área de neurociências e, por coincidência ou não, também de divulgação científica, como Roberto Lent e Stevens Rehen. Lent, em postagem em seu Facebook, criticou a postura de Suzana defendendo que é preciso “resistir e lutar”. O cientista adotou um utópico e nacionalista, afirmando que “o Brasil é para os fortes!” e “a solução não é abandonar o barco, e sim resistir e lutar” e ainda parabenizou o colega Rehen por ficar no país. Rehen compartilhou o post do colega com a mensagem “Eu não quero fazer sucesso, eu quero é fazer sentido.”

Essas movimentações facebuqueanas da manhã geraram um enxurrada de comentários nas redes sociais, elevando ânimos de todas as correntes de pensamento, despertando solidariedade, mágoas e reflexões.

Roberto foi uma espécie de mentor de Suzana e co-autor da pesquisa a levou ao reconhecimento mundial, um estudo de 2009 que derrubou a ideia até então estabelecida de que o cérebro humano tinha cerca de cem bilhões de neurônios. Suzana, que começou fazendo pesquisa em um espaço cedido no laboratório de Roberto, chegou a conclusão com uma técnica que desenvolveu para contar com precisão o número de células que formam o órgão. Roberto é, assim como Suzana e Stevens, uma”celebridade da ciência” com livros didáticos e para o público leigo publicados. Se dedica hoje ao estudo de alterações cerebrais, como a disgenesia do corpo caloso,  e a um projeto de levar ciência para o a educação, a Rede Nacional de Ciência para Educação, a qual, devo dizer, eu apoio na comunicação.

Já Stevens Rehen também compartilha com Suzana a lista de pesquisadores que publicaram na Science e, assim como ela, lutou contra as adversidades para conseguir um espaço na universidade para fazer pesquisa — começou seu laboratório em um banheiro do hospital universitário. Recentemente, Rehen ganhou espaço na mídia com as notícias sobre as pesquisas que seu grupo vem desenvolvendo usando mini cérebros para entender a infecção pelo zika vírus e os casos de microcefalia em fetos (noticiadas aqui no blog).

Tanto Rehen quanto Lent são do professores do ICB, mas contam com a apoio do Instituto D’Or de Pesquisa em Ensino (Idor), uma associação sem fins lucrativos ligada à Rede D’Or de hospitais que lhes provê a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento de suas pesquisas por meio de uma parceria com a UFRJ. A maior parte das verbas continua sendo pública oriunda de editais, mas, na instituição privada (da qual já fui funcionária da comunicação, devo dizer), os pesquisadores encontram uma infra-estrutura predial mais adequada e menos entraves burocráticos que na universidade.

A parceria público-privada, tema polêmico e que também divide ânimos na academia, foi citado na reposta de Suzana às críticas de Lent. Depois de repudiar a afirmação do ex-mentor de que o anúncio de sua saída seria “capitulação”, a cientista provocou: “Então eu deveria ter ido embora quietinha, Roberto, sem chamar atenção? Isso, sim, teria sido um desserviço à ciência brasileira. Que bom que os jornais se interessaram por minha matéria da piauí e resolveram fazer sua parte. Os inúmeros cientistas que se reconhecem na mesma situação que eu, não amparados por uma rara instituição privada de Pesquisa como o Idor, como Roberto e Stevens Rehen agradecem.”

Stevens já disse à imprensa e aos blogs, mais de uma vez, que é um otimista. Faz críticas a situação de engessamento na ciência tão batida por Suzana ao longo dos anos, mas se diz adepto das soluções, uma delas advinda das parcerias público-privadas. Após as reações iniciais a sua postura sobre a partida da colega, algumas de apoio outras de repúdio, Rehen adotou um tom mais conciliador, lançando a hashtag #soqueroserfeliz parafraseando frase célebre do poeta Ferreira Gular, Eu não quero ter razão, eu só quero ser feliz.  “Tenho grande admiração e respeito pelos que optaram por sair, não menor do que pelos que ficam. As críticas sobre a gestão nacional da ciência vindas dessa galera que partiu são muito pertinentes e merecem reflexão mas suas decisões de vida são individuais e não decretam o fim da ciência brasileira. Pelo contrário, só confirmam que a ciência é internacional e o cientista um cidadão do mundo! Temos muito a fazer pelo Brasil, tanto aqui quanto no exterior”, escreveu em sua página do Facebook, antes de começar a compartilhar casos de cientistas que ficaram no Brasil apesar das adversidades, ou que retornaram ao país depois de um período no exterior. Rehen costuma dizer que aposta na “internacionalização da ciência brasileira”, trazendo gente de fora ou formada no exterior para fazer ciência aqui no país e não o contrário.

O caso é emblemático. Uma só decisão pessoal abriu espaço para debater a crise da ciência brasileira, a precarização da universidade, a burocracia das agências de fomento, financiamento de pesquisa, interface público e privado e até temas mais subjetivos, como a carreira profissional e uma visão nacionalista sobre ciência e suas fronteiras.  Não tenho opinião formada sobre os posicionamentos de cada um. No final, me compadeço com a situação de todos. Mas o futuro a Deus pertence, literalmente. Quem sabe no próximo governo todos os problemas não se resolvem com uma prece?  (sarcarsmo alert).

*O post é apenas uma compilação das repercussões da notícia, sem juízos atrelados.

Ciência no cinema

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Entre os dias 21 de abril e 8 de maio, acontece no Rio de Janeiro a mostra Cinema e ciência, um ciclo de filmes e debates dedicados às ciências promovido pelo Instituto Moreira Salles em parceria com a  Academia Brasileira de Ciências (ABC) em razão do centenário dessa sociedade científica.

Serão exibidos documentários e ficções que abordam os mais diferentes aspectos das ciências exatas e biológicas, passando pela biologia marinha e a física nuclear. Na programação estão filmes que abordam a ciência do ponto de vista de ficção, como Ex_machina: instinto artificial, vencedor do Oscar 2016 de efeitos visuais que discute a robótica, e também obras documentais, como A Vida Secreta das Plantas, do biólogo e apresentador da BBC David Attenborough.

O evento traz ainda filmes raros, como os curta-metragens em 35 mm do cineasta e biólogo francês Jean Painlevé (1902-1989), um dos precursores do cinema sobre ciência. Com mais de 200 documentários sobre ciência produzidos ao longo da vida, Painlevé inaugurou na década de 1920 o que chamava de cinema poético-científico, retratando principalmente a vida animal e submarina. Foi um dos primeiros a filmar debaixo d’água e revelar ao público o comportamento de estranhos seres aquáticos, como o polvo, o caranguejo, o cavalo-marinho e as anêmonas.

Algumas das sessões de cinema serão seguidas de conversas com importantes cientistas brasileiros, como a geneticista Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL),  o matemático Artur Avila, vencedor da Medalha Fields em 2014, e Étienne Ghys, professor da École Normale Supérieure de Lyon e pesquisador do Centre Nationale de la Recherche Scientifique, na França.

Os ingressos custam 8 reais (inteira) e 4 reais (meia-entrada) e podem ser adquiridos na recepção do IMS ou pelo site www.ingresso.com.

Local:

Confira a programação completa: 

Quinta-feira | 21 de abril:

16h – A febre da partícula, de Mark Levinson (EUA, 2013, 99’)

19h – Uma breve história do tempo, de Errol Morris (EUA, 1991. 84’)

*Debate com George Matsas, professor titular do Instituto de Física Teórica da Unesp


Sexta-feira | 22 de abril:

16h – A vida privada das plantas, de David Attenborough (Reino Unido, 1995. 100 min)

19h – Ex_machina: instinto artificial, de Alex Garland (Reino Unido, 2015. 108’, 14 anos)

*Debate com André Ponce de Leon F. de Carvalho, professor titular do Departamento de Ciência da Computação da USP


Sábado | 23 de abril:

16h – Para todo sempre, de Michael Madsen (Dinamarca, Finlândia, Suécia, Itália, 2010. 75 min)

18h – Interestelar, de Christopher Nolan (EUA, Reino Unido, 2014. 169’, 10 anos)

 

Domingo | 24 de abril:

16h – Microcosmos – Fantástica aventura da natureza, de Claude Nuridsany e Marie Pérennou (França, Suíça, Itália, 1996. 80’)

18h – Para todo sempre, de Michael Madsen (Dinamarca, Finlândia, Suécia, Itália, 2010. 75 min)

 

Terça-feira | 26 de abril

16h – A febre da partícula, de Mark Levinson (EUA, 2013, 99’)

19h – Uma breve história do tempo, de Errol Morris (EUA, 1991. 84’)

 

Quarta-feira | 27 de abril:

16h – Copenhagen, de Howard Davies (Reino Unido, 2002. 90’)

19h – Projeto Nim, de James Marsh (Reino Unido, EUA, 2011. 93 min)

 

Quinta-feira | 28 de abril:

16h – A vida privada das plantas, de David Attenborough (Reino Unido, 1995. 100 min)

19h – Microcosmos – Fantástica aventura da natureza, de Claude Nuridsany e Marie Pérennou (França, Suíça, Itália, 1996. 80’)

*Debate com Ricardo Monteiro, professor associado da UFRJ

 

Sexta-feira | 29 de abril:

16h – Projeto Nim, de James Marsh (Reino Unido, EUA, 2011. 93 min)

19h – Curtas – Filmes de Jean Painlevé, Geneviève Hamon e J.C. Mol

Do reino dos cristais (Holanda, 1927. 14’)

O polvo (França, 1927. 13’)

O cavalo-marinho (França, 1933. 14’)

Ouriços-do-mar (França, 1954. 11’)

Histórias de camarões (França, 1964. 10’)

A vida amorosa do polvo (França, 1967. 14’)

Ácera, ou o baile das bruxas (França, 1972. 13’)

Cristais líquidos, de Jean Painlevé (França, 1978. 6’)

*Debate com o biólogo marinho Marcelo Szpilman, diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio (AquaRio) e Belita Koiller,doutora em Física pela Universidade da Califórnia em Berkeley e professora titular da UFRJ

 

Sábado | 30 de abril

16h- Out of the Present, de Andrei Ujica (Alemanha, 1999. 96’)

18h – Interestelar, de Christopher Nolan (EUA, Reino Unido, 2014. 169’, 10 anos)

*Debate com Martin Makler, doutor em Física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

 

Domingo | 1 de maio

16h – Curtas – Filmes de Jean Painlevé e J.C. Mol

Do reino dos cristais (Holanda, 1927. 14’)

O polvo (França, 1927. 13’)

O cavalo-marinho (França, 1933. 14’)

Ouriços-do-mar (França, 1954. 11’)

Histórias de camarões (França, 1964. 10’)

A vida amorosa do polvo (França, 1967. 14’)

Ácera, ou o baile das bruxas (França, 1972. 13’)

Cristais líquidos, de Jean Painlevé  (França, 1978. 6’)

19h- Out of the Present, de Andrei Ujica (Alemanha, 1999. 96’)

*Debate com José Monserrat Filho, com extensa experiência na área de direito espacial, tendo acompanhado desde o início o projeto espacial brasileiro

 

Sábado | 7 de maio

14h – GattacaExperiência genética, de Andrew Niccol (EUA, 1997. 106’, 12 anos)

*Debate com Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL)

18h45 – Gênio indomável, de Gus Van Sant (EUA, 1997. 126’)

*Debate com Étienne Ghys, matemático, diretor de pesquisas no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, e Artur Avila, o primeiro brasileiro a receber a Medalha Fields, considerada o prêmio Nobel da matemática. A mediação será de João Moreira Salles.

 

Quem vai distribuir a fosfoetanolamina?

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Contrariando pareceres da Anvisa e da comunidade científica, a presidente (vale dizer, ameaçada de impeachment) aprovou a lei que permite o uso, a produção, a manufatura, a importação, a distribuição, a prescrição, a dispensação e a posse da fosfoetanolamina sintética. Podem usar a substância pacientes diagnosticados com câncer que assinem um termo de consentimento e responsabilidade legal.

Gostaria de dar muitas respostas sobre esse caso sem precedentes, mas as perguntas são mais abundantes e importantes agora.

Por exemplo, quem vai produzir a substância para os pacientes?

Segundo a lei aprovada, a produção,  importação, distribuição e prescrição da fosfoetanolamina sintética será permitida para agentes regularmente autorizados e licenciados pela autoridade sanitária competente. A afirmação parece piada quando a autoridade competente de maior grau do país, a Anvisa, é contrária à liberação da substância e foi totalmente ignorada na decisão da presidente.

A Anvisa chegou a recomendar o veto da lei, baseada no argumento de que somente pode liberar como medicamentos  substâncias que tenham passado pelos testes pré-clínicos e clínicos (em humanos) necessários para avaliar a eficácia, a segurança e a superioridade de um droga proposta como remédio. Depois da sanção presidencial, o órgão reforçou sua posição, afirmando que “a exceção, concedida pela Lei nº 13.269, abre perigoso precedente porque afronta o sistema regulatório em vigor, que foi estabelecido pelo próprio Congresso Nacional, e pode trazer riscos sanitários importantes para nossa população.”

Até pouco tempo, quem produzia a droga era o Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP). A síntese da substância começou em 1995 para fins de pesquisa, mas a cápsula foi distribuída ilegalmente durante mais de 20 anos por decisão pessoal do pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, outrora ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros e hoje aposentado. Quando a USP suspendeu essa distribuição, então ilegal, em 2015, teve início toda a comoção de pacientes pedindo a sua continuidade. Os TJs de Rio e São Paulo começaram um vai e vem de liberar e não liberar a distribuição da pílula. Nesse ínterim, a universidade foi obrigada a produzir e distribuir a droga, mesmo sem ter a infra-estrutura necessária para atender a demanda de pacientes com liminares judiciais, que hoje ultrapassam 15 mil . Políticos em busca de atenção se aproveitaram da celeuma e deu no que deu. Primeiro a Câmara, depois o Senado e por fim o executivo aprovaram o liberação da substância.

E agora quem vai produzir a droga para atender um número de pacientes que só tende a crescer diante da atenção que o caso ganhou na mídia e redes sociais? A USP já sinalizou que não tem capacidade de produzir e fornecer a pílula; e nem deveria, pois a universidade é um local de pesquisa e não laboratório farmacêutico. O laboratório que sintetizava a droga dentro da universidade foi fechado no início de abril.

No final de 2015, representantes da Fundação para o Remédio Popular (Furp) e médicos do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) se reuniram para discutir a produção das cápsulas de fosfoetanolamina para atender a testes clínicos. Na ocasião, a Furp afirmou que não teria capacidade de produzir a substância, mas que poderia sim encapsular o composto já sintetizado.

No início do ano, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin decidiu autorizar a fabricação das cápsulas de fosfoetanolamina para pesquisa com pacientes do Icesp. Foi um investimento de R$ 2 milhões, sendo R$ 1 milhão para a pesquisa e outro R$ 1 milhão em insumo e pessoal. Após consultas com laboratórios do estado, foi escolhido o PDT Pharma, de Cravinhos, que já está aparelhado para produzir o primeiro lote, de 35kg, cerca de 350 mil cápsulas, que estava programado para sair agora em abril, mas que ainda não está em produção, segundo informações apuradas hoje com a empresa.

Em novembro do ano passado, o laboratório Lafergs, ligado a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps) do Rio Grande do Sul, assinou um termo de cooperação com o governo do estado para a produção da droga também para fins de pesquisa.

Só que há um detalhe: a substância tem patente depositada pelo grupo do Chierice. São duas patentes que foram depositadas sem comunicação à universidade em 2007 e 2008 e publicadas em 2011. Com a liberação, fica a dúvida de quem vai comprar a patente, se ela vai ser vendida ou não.  Chierice já afirmou diversas vezes que vai doá-la para quem for distribuí-la sem fins lucrativos. Em entrevista concedida hoje à Rádio Difusora, o pesquisador aposentado reafirmou:”O povo já me pagou. Eu fui pago pela USP para pesquisar, é dinheiro do povo. Por isso não vou ficar rico.” Em um texto muito elucidativo de toda a história da fosfo, no blog Café na bancada, a autora questiona por que essas patentes não foram colocadas em domínio público desde o início.

Agora é aguardar e ver como tudo vai “funcionar” na prática, sem bulas, sem noção dos efeitos da droga, sem fiscalização…

Testes com mini cérebros podem apontar medicamento eficaz contra a zika em dois meses

Minicérebros cultivados em laboratório. Estruturas estão ajudando a compreender os efeitos da infecção por zika.
Minicérebros cultivados em laboratório. Estruturas estão ajudando a compreender os efeitos da infecção por zika.

No domingo, noticiei aqui a pesquisa totalmente nacional do grupo dos pesquisadores Stevens Rehen e Patrícia Garcez, que usaram mini cérebros e neuroesferas para simular o cérebro em desenvolvimento de fetos e observar como o zika vírus age sobre essas células. Os resultados revelaram que o vírus de fato mata as células cerebrais em formação e provoca redução de 40% no crescimento das células neurais em minicérebros com complexidade equivalente à do córtex um bebê de 2 meses. A associação já era esperada. Mas, para além da constatação, o modelo dos mini cérebros in vitro possibilita a testagem de diferentes medicamentos, o que pode culminar com a resposta prática que a sociedade tanto espera: um tratamento para evitar a microcefalia e demais alterações neurológicas já observadas nos fetos.

No Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), uma das instituições envolvidas na pesquisa, o grupo dispõe de um robô capaz de aplicar simultaneamente diferentes drogas em milhares de mini cérebros infectados. Assim é possível identificar que substâncias têm poder proteger as células cerebrais contra o vírus ou inibir a sua ação.

Ao mesmo tempo em que a equipe fazia os experimentos publicados na Science (realizados no tempo recorde de 25 dias, graças a muitas noites viradas no laboratório), já começava a testar com esse equipamento medicamentos existentes e liberados para uso.”Nosso objetivo é buscar estratégias que possam reduzir as consequências da infecção para as mães grávidas”, explica o neurocientista Stevens Rehen.

Rehen conta que sua equipe já testou cerca de 10 medicamentos ou combinações de medicamentos até o momento e que pelo menos um deles tem se mostrado promissor. Se continuarem nesse ritmo e esforço de pesquisa, acreditam que terão uma resposta em dois meses.

“É através da ciência que conseguimos respostas robustas para crises”, afirma o cientista. “A ciência tem que ter essa sensibilidade de que quando é para ter uma resposta rápida, conseguimos.”

União de esforços e novos caminhos

Desde que o surto de zika e microcefalia surgiu no país, pesquisadores dos quatro cantos se uniram em uma rede de pesquisa voltada para o assunto coordenada pelo professor Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e financiada pela Pafesp e Faperj. O grupo conta com mais de 40 laboratórios  de instituições de pesquisa brasileiras e também colaborações de integrantes internacionais, como o Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal.

A urgência contribuiu inclusive para a quebra de velhos paradigmas da ciência, como o tradicional sistema de publicação por pares. A maioria dos artigos científicos  ainda segue a lógica dos periódicos científicos em que um artigo só é levado a público depois de aceito para publicação e revisado por avaliadores. Embora em áreas como a física o processo já seja diferente, sendo comum o compartilhamento de dados antes de qualquer publicação no repositório Arxiv, nas ciências biológicas ainda reina o velho esquema.

No caso desse estudo com mini cérebros, o grupo — que trabalhava há meses no desenvolvimento de organoides sem ter ainda publicado um artigo sobre a técnica — optou por deixar seus dados abertos e divulgar os resultado primeiramente na forma pre-print na plataforma Peerj. “Tivemos um retorno incrível, mais de 10 mil pessoas leram nosso trabalho antes da publicação na Science e muitas delas deram contribuições importantes”, conta Rehen. “Pode tomar um tempo, mas acredito que essa prática vai ser incorporada pela comunidade de biomédicas e de saúde.”

Zica, cérebros, fetos e adultos

Pesquisa brasileira com minicérebros publicada na Science comprova relação entre o vírus e a morte de células neurais em estágio embrionário, enquanto dados epidemiológicos apontam para danos também em adultos

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Os cientistas infectaram neuroesferas (marrom) com zika vírus (laranja) para observar o efeito do patógeno sobre as células neurais. (foto: Rodrigo Madeiro)

Dois estudos brasileiros divulgados neste final de semana confirmam desconfianças da ciência e ajudam a compreender melhor as diversas facetas dos impactos do zika vírus sobre o cérebro de fetos e adultos.

Um deles, publicado na Science por um grupo de pesquisadores da UFRJ, do IDOR e da Unicamp, comprova pela primeira vez com experimentos in vitro a capacidade do vírus de matar células neurais em desenvolvimento, o que pode explicar o recente surto de microcefalia em bebês que tem assolado o país.

A pesquisa, que utilizou mini cérebros criados em laboratório, já havia sido abordada em detalhes aqui no blog quando ainda era uma ideia no papel, em janeiro. O estudo foi colocado em prática rapidamente graças à cooperação entre as instituições usando verbas não específicas do BNDES, Capes, CNPq, Finep e Faperj e publicada online como pre-print sem revisão por pares em março, antes do aceite da Science.

Os mini-cérebros ou organoides cerebrais são um modelo preciso do cérebro humano em estado embrionário obtido a partir de células-tronco humanas, que têm a capacidade de se transformarem em qualquer tecido. As estruturas possuem apenas milímetros e mal podem ser vistas a olho nu, mas se comportam como o cérebro de um feto em desenvolvimento.

Em todo o mundo poucas equipes de pesquisa dominam a técnica para criar essas estruturas, que curiosamente estrearam na literatura acadêmica justamente em um estudo sobre microcefalia, não relacionado à zika, publicado pela jovem Madeline Lancaster na Nature em 2013.

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No estudo brasileiro, mini cérebros e também neuroesferas (estruturas semelhantes, mas menos refinadas, formadas por células tronco neurais ainda não transformadas em neurônios) foram infectados com o vírus da zika. Os pesquisadores observaram que o vírus penetrou nas mitocôndrias e nas vesículas das células das neuroesferas provocando a sua morte por apoptose, uma espécie de autodestruição comum nas infecções por vírus. Já os mini cérebros, após 11 dias de infecção, tiveram seu crescimento reduzido em 40% em comparação com as estruturas não infectadas.

Os mini cérebros infectados tinham a estrutura semelhante a de um cérebro de um feto de dois meses. Além de mostrar os efeitos do vírus sobre um cérebro dessa idade, o estudo pode ajudar no desenvolvimento e testagem de drogas contra a doença.

“Os mini cérebros são um modelo também para testar possibilidades de tratamento”, afirmou o neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ e IDOR, que assina o estudo ao lado de Patricia Garcez e mais quatro brasileiros.

zika-mini-cerebrosOs pesquisadores também repetiram os testes usando vírus da dengue, mas este não demonstrou a mesma capacidade de matar as células cerebrais, o que reforça a ideia de que as malformações cerebrais observadas recentemente nos bebês são realmente obra única do vírus da zika.

Mais estudos ainda são necessários, porém, para caracterizar as consequências da infecção por zika vírus nos diferentes estágios do desenvolvimento fetal e compreender os mecanismos que levam ao surgimento da microcefalia nos bebês.

Adultos também

O segundo estudo publicado nesse final de semana é da médica Maria Lúcia Brito Ferreira, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital da Restauração (HR), em Recife (PE). Ferreira reforça a ligação entre o zika vírus e uma complicação neurológica em adultos, similar à esclerose múltipla, que ataca a mielina do cérebro — estrutura lipoproteica que envolve os axônios e protege o circuito neural.

A possibilidade tem por base o acompanhamento de pacientes que procuraram o hospital recifense com sintomas de zika, dengue e chicungunha entre dezembro de 2014 e junho de 2015.

No período, seis pessoas tiveram a infecção por zika confirmada com exames laboratoriais, das quais duas desenvolveram encefalomielite aguda disseminada – uma doença inflamatória do sistema nervoso central que pode ocorrer após um quadro de infecção. Em ambos os casos, exames de imagem mostraram sinais de danos à substância branca e à medula espinhal chegando à mielina. Já as outras quatro pessoas infectadas tiveram a síndrome de Guillan Barret, anteriormente associada à zica.

Os pacientes ainda hoje apresentam problemas motores, de memória e raciocínio.

“Embora nosso estudo seja pequeno, ele provê evidências de que o vírus tem capacidade de produzir outros tipos de danos cerebrais”, diz Ferreira, que vai apresentar seus dados na 68ª Reunião Anual da Acadmeia Americana de Neurobiologia em Vancouver, Canadá, no dia 15 de abril. “Vamos precisar de mais estudos para poder afirmar que existe um vínculo causal entre o zika e esses problemas, e esses dados são importantes nesse cenário.”